O PRESIDENTE E A AMAZÔNIA

O discurso é batido, conhecido de cor de Belém a Manaus e de Santarém a Macapá: um plano de desenvolvimento repleto de mentiras e violência. Foi isso que revelou o site The Intercept Brasil na última semana, mostrando documentos que comprovam o plano do governo Bolsonaro para a Amazônia. Cheio de “boas intenções”, o projeto repete erros e crimes da ditadura na região amazônica.

Intitulado projeto Barão do Rio Branco, a iniciativa retoma ideias do governo civil-militar: povoar áreas com o pretexto de desenvolver a região, vigiando as fronteiras internacionais. Um objetivo com três mentiras. A primeira é a de que a região não é povoada; a segunda, a de que a região precisa do desenvolvimento predatório; e a terceira, de que há uma ameaça na fronteira do Brasil. A mesma paranoia militar.

Na sede da Faepa, em Belém (PA), generais que compõem o governo apresentaram a iniciativa a empresários e fazendeiros do interior paraense. A proposta consiste em incentivos a grandes empreendimentos de modo a atrair populações não indígenas de outras partes do país. As revelações demonstram a incapacidade de gestão federal, que vive a iminência de sanções internacionais ao comércio brasileiro por conta do desmatamento e queimadas.

O governo vê como riquezas o potencial mineral e hidrelétrico, além de terras cultiváveis na região do Planalto da Guiana, ente os estados do Amapá, Roraima, Pará e Amazonas. “Tudo praticamente inexplorado” e “distante do centro do Brasil”, relata o projeto. Seriam mais três grandes obras: uma hidrelétrica em Oriximiná, uma ponte sobre o rio Amazonas e a extensão da BR-163 até o Suriname.

A construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, é o exemplo recente: a obra acirrou conflitos e pobreza no Xingu, a energia elétrica é exportada para o Sul e o Pará fica com a conta de energia mais cara do Brasil. Novamente querem os empregos mais rebaixados para a população local enquanto os lucros e a riqueza dos empresários do Sul e Sudeste aumenta.

Adicionar a favoritos link permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *