Parada de Manutenção de Urucu é marcada por caos e negligência

O Sindipetro Amazônia/FNP protocolou um ofício à Gerência Geral da UN-AM e à gerência executiva de SMS exigindo providências imediatas contra acontecimentos inadmissíveis na Parada Programada de Manutenção da Província Petrolífera de Urucu (AM). 

Os relatos que chegam ao sindicato compõem um cenário de irresponsabilidade: para cortar custos e acelerar prazos, a gestão local transformou a área operacional em uma ameaça direta à integridade dos trabalhadores e da unidade operacional.

Economia irresponsável: planta liberada sem inertização

A denúncia mais grave envolve o corte drástico no orçamento planejado para a utilização de nitrogênio. O valor estimado originalmente para garantir a segurança dos procedimentos era estimado em mais de R$ 11 milhões, mas a gestão optou por comprar apenas uma fração do insumo para limpezas superficiais (puffs e caixas frias).

O resultado beira uma ação criminosa: a unidade foi liberada para manutenção sem a devida inertização.

Pressionada pelo atraso no cronograma, as gerências ordenou o atropelo de etapas para a inversão das figuras 8 e emissão de Permissões de Trabalho (PT). O líquido inflamável e tóxico que restou nos vasos e tubulações — e que deveria ter sido drenado de forma segura para o sistema fechado — foi purgado diretamente para a atmosfera com o uso de sugadores em área aberta.

Essa decisão econômica nefasta gerou um verdadeiro “mar de benzeno” na área operacional. Os trabalhadores foram submetidos à inalação direta de vapores dessa substância altamente carcinogênica. A justificativa gerencial de que “bastaria usar máscara” ignora com cinismo as condições de Urucu, onde o calor extremo e as jornadas exaustivas de 12 horas tornam o uso contínuo de respiradores filtrantes insustentável sem a devida exaustão prévia da planta.

Improvisação e subdimensionamento da força de trabalho

Além do risco químico, a parada foi iniciada sob absoluto caos administrativo. Não houve reuniões presenciais de planejamento. Os trabalhadores foram inseridos em grupos de mensagens e cobrados a estudar os procedimentos técnicos simultaneamente ao cumprimento de suas rotinas normais de trabalho.

A situação de risco na unidade foi agravada por decisões gerenciais temerárias:

  • Profissionais sem familiaridade operacional: Operadores afastados da área há mais de 10 anos, trabalhando apenas no painel, foram lançados à frente de trabalho sem a devida Gestão de Mudança (GM), sem: treinamento de atualização, conhecimento das atuais condições operacionais da unidade e mapeamento no PPEOB (Programa de Prevenção da Exposição Ocupacional ao Benzeno).
  • Efetivo rebaixado: A supervisão e a gerência subestimaram a complexidade da planta, mantendo uma escala negligente de apenas três operadores de dia e dois à noite, gerando sobrecarga extrema e fadiga.

Atropelo de normas e pressão por metas

O Sindipetro Amazônia/FNP constatou que as recentes alterações normativas da NR-13 foram utilizadas como pretexto para acelerar os trabalhos a qualquer custo. Embora as torres principais não tenham sido abertas, as intervenções em permutadores e vasos secundários exigiam a drenagem segura e a inertização total do sistema — etapas que foram deliberadamente ignoradas pela linha de comando, desde a Gerência Geral até a supervisão local.

Providências urgentes

O Sindicato não aceitará que a vida da categoria seja rifada para garantir bônus de performance gerencial ou cumprimento de metas financeiras. No ofício encaminhado à Petrobras, exigimos:

  1. Paralisação imediata de todas as atividades com risco de exposição a gases e hidrocarbonetos até que testes comprovem a atmosfera segura e a inertização da planta;
  2. Apresentação do balanço financeiro da compra de nitrogênio planejada versus a executada, detalhando os motivos do corte de custos em SMS;
  3. Revisão imediata da escala, retirando de campo os trabalhadores que não tenham treinamento atualizado para a área ou que sejam restritos ao painel;
  4. Instalação de Comissão de Investigação de Desvio Crítico, com participação obrigatória do sindicato e da CIPAA.

Caso a empresa não apresente uma resposta formal e imediata, o Sindipetro Amazônia acionará formalmente a Auditoria Fiscal do Trabalho (MTE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para conter o crime ambiental e a exposição a riscos inadmissíveis em Urucu.

Adicionar a favoritos link permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *